sábado, 7 de maio de 2016

Colpo di Stato, segundo Malaparte






Os mais renomados livres-pensadores do grand monde político, dentre os quais Pérez Esquivel e Bresser Pereira, denominam a eventual deposição da Presidenta Dilma como golpe de Estado parlamentar. Na língua de Roma, núcleo da civilização, colpo di Stato



Esquivel, prêmio Nobel da Paz: "golpe de Estado parlamentar"


A própria Presidenta Dilma esclarece em seus discursos e entrevistas que está sendo vítima de um golpe, com a exponenciação midiática das notícias ruins e minimização dos bons feitos - provocando propositalmente lavas de enxofre para inviabilizar a governança e promover a sua queda. Enfim, um conluio com apoio do oportunismo político. 

Após neutralizar o rei (Lula), a ideia óbvia é o xeque-mate na rainha (Dilma). Trata-se de macartismo ideológico. 



Dilma na ONU: política diplomática em ordem
  
Como disse a deputada Joana Mortágua na Assembleia portuguesa: um complô da direita para tomar o poder.  



Agenda de proteção jurídica à mulher 


A Al-Jazeera English noticiou em seu canal do Youtube o envolvimento da mídia destra na conspiração. O vídeo está disponível digitando a tag "Brazil: behind the impeachment". 

São informações que circulam para aprofundar o debate.  

Idem a CNN, com reportagem esclarecedora do Greenwald e Amanpour. Tag: "CNN impeachment legendado". 



Causa LGBTTT no Brasil: direitos sociais à nova geração (falta criminalizar a homofobia)


Contudo, o eleitorado não aceitará o retrocesso político após quase década e meia de avanços sociais progressistas do petismo (causas ecológica, indígena e LGBTTT, dentre outras).  



Causa indígena: celebração desportiva e reconhecimento cultural dos primeiros habitantes da Terra Brasilis 


Apesar do Plano Levy, que levou parte da classe média revoltada às ruas pela imposição da agenda neoliberal, resultando numa recessão branda (o mesmo método de ajuste fiscal utilizado por FHC), o governo petista conseguiu controlar a inflação e equilibrar a balança comercial, de forma que os índices econômicos não são alarmantes, como visto em administrações pretéritas pré-Plano Real. 



Questão ecológica: O Brasil aderiu ao Tratado de Paris para o desaquecimento climático



É fato que o Plano Levy poderia ser obstado - ou, pelo menos, flexibilizado. Neste caso, a administração flutuaria sobre a crise econômica mundial, sem confrontá-la drasticamente, como feito - aliás sob os clamores da oposição que exigia um choque de capitalismo para correção da bússola. 

A oposição forjou, em seguida, este artifício para acirrar a crise e derrubar o governo. 


Como lembrou o Le Monde Diplomatique, naquela ocasião o panorama estava propício à aplicação do Plano Levy. A injeção neoliberal na economia seria apenas para revitalizá-la. O governo, também, precisava de receita para sanar o déficit fiscal - o verdadeiro leviatã de todos os países industrializados. 

No caso do Brasil, 45% do orçamento federal são obrigatoriamente destinados ao pagamento desses credores da "dívida", repactuada via Plano Brady nos anos 90. 

O Plano Levy cortou, então, na fatia de 55%, em verbas essenciais, eliminando a desoneração fiscal e elevando o custo de vida. Uma tática política equivocada, dentro do contexto social dramático, entre a mídia selvagem, a turba em polvorosa e o Parlamento reagindo, resultando no coup d'État



História: Colpo di Stato 9 Termidoro 1794; Colpo di Stato del 18 Brumario 1799 
  

A sugestão para o eventual governo Temer: mexer nos 45% da "dívida pública" destinados aos pagamentos de "juros sobre juros" (capitalizados) aos "credores", transferindo os créditos para investimentos sociais. 

Que Temer, se efetivamente empossado e imbuído de grandeza política, realize, a priori, nos 180 dias da Presidência em exercício, a auditoria da dívida pública e faça justiça social. 


Caso contrário, administrará apenas a fisiologia burocrática, com demasiadas convulsões sociais, já que os conservadores (Temer é centrista) são vistos pela massa eleitoral como beneficiadores do alto capital.   



Malaparte: como fabricar o golpe


Porém, neste espaço de tempo, haverá alguma módica retomada do crescimento econômico, principalmente após a reformulação dos direitos celetistas e da carga tributária - clamor empresarial.  


O sistema nórdico deveria ser observado pelo Legislativo, com o ganho justo do capital vs. trabalho, e melhoria na qualidade de vida dos cidadãos brasileiros. 

Enfim, não se governará o país sem amplas concessões à população - principalmente à classe média, cada vez mais racional e exigente. Se descontente, sairá novamente às ruas em revoluções civis apocalípticas e decuplicadas. Após, às urnas. 


Na América Latina, há grandes injustiças sociais. A função do Estado é resolvê-las.