terça-feira, 22 de março de 2016

Lições de Montesquieu e do 18 Brumário




A mídia anárquica, utilizando-se dos truques do big data, retrocedeu o Brasil para a nona economia mundial. A intenção óbvia é implodir o governo de esquerda através de denúncias e pré-julgamentos, quando a inocência presumida é princípio constitucional (art. 5º, LVII). Ou seja: a regra, não a exceção.

A essa barbárie civilizatória assoma-se o obscuro interesse dos trusts petrolíferos, já desmascarados por Monteiro Lobato em "O Escândalo do Petróleo e Ferro", publicado em 1946. Lobato defendia a tese, com base em algumas pesquisas de campo de oil seepages, de que o país repousa sobre um gigantesco manto subterrâneo de petróleo fossilizado, de norte a sul, restando apenas a prospecção.




Lobato: em defesa do petróleo contra os trusts  



Esse ouro negro é o ponto nevrálgico do atual quiproquó nacional. Em meio ao pandemônio, o substitutivo do PLS 131/15 foi aprovado pelo Senado Federal, em fevereiro último, permitindo às multinacionais (trusts) a exploração do pré-sal, retirando da Petrobrás, combalida moral e financeiramente, a exclusividade como operadora. 

O resultado óbvio da campanha de desmoralização da estatal de economia mista: a cotação das ações despenca vertiginosamente: em 21 de março corrente caiu 0,74% - atraindo, evidentemente, interesse de investidores na aquisição de lotes de ações a preços baixos para transacioná-los nos fluxos de alta (vide O Lobo de Wall Street).  

Os movimentos pró-impeachment da presidenta Dilma são pateticamente manipulados como espécie de terceiro turno eleitoral (não obstante o erro estratégico do Plano Levy, que deveria ser flexibilizado em relação à classe média, drasticamente mais pobre e encolerizada desde então; aliás, para esse eleitorado, o Plano foi um golpe - e, portanto, o afastamento da mandatária seria apenas um golpe dentro do golpe). 

A impopularidade do Plano, lançado inoportunamente no clímax de desconstrução da Petrobrás, é leitmotiv à pretensão do 18 Brumário tropical - em fase de cocção - por parte de determinados círculos expressivos da sociedade civil. 

Se se quer passar o país a limpo, a marcha contra a corrupção deve estender-se aos quatro níveis de Poder, e não centralizar-se apenas no Executivo. 

Não se critica as diligências policiais. O ideal é que fossem liberados ao público áudios de todos os níveis de governo sob persecução: municipal, estadual e federal. E também de eventuais autoridades do Legislativo e Judiciário sub judice (vide excepcionalmente o caso Lalau), face ao precedente jurisprudencial que se está firmando neste tópico.  



O 4º Poder também tem que ser averiguado: ninho de manipulação de notícias através do "big data"; exemplo clássico: News of the World




Espionagem digital: fontes manipuladas de informação massificada 


A.e.I.o.U... D... x Y z: a mídia criminosa vale-se do Big Brother de Orwell para monitorar, praticar bullying e chantagear cidadãos que destoam do seu pensamento político; violações contra os direitos humanos que deverão ser investigadas pela OEA


O Quarto Poder também tem que ser rigorosamente investigado, já que fontes sigilosas denunciam a existência de arapongas, hackeamentos digitais e via satélites por setores da imprensa, em esquemas criminosos, com captura clandestina de imagens, diálogos CAT e dados diversos para manipulação política da população (exemplo: os grampos telefônicos da "News of the World"). 

A anarquia não reinaria; apenas o país seria reinventado democraticamente, pelo princípio da transparência. Focar apenas em duas personas da esquerda, Dilma e Lula, em holocausto de execração pública, num quase simulacro de flagrante preparado, é um golpe sujo muito manjado das forças conservadoras da direita, para a tomada partidária do poder a qualquer custo, mesmo através do reacionário golpe brando (ou seja, não militar). 

A questão será debatida na Unasul. Certamente, serão adotadas as providências cabíveis porque a luta de fundo que se trava no atual contexto brasileiro é basicamente ideológica. 

Por óbvio a corrupção deve ser combatida, mas não só no Executivo Federal. Tem que ser repelida em todas as esferas governamentais, nos três Poderes, e até dentro da própria polícia (vide caso Japonês da Federal). Também, por arrastamento, ao Quarto Poder, cujas redações aninham interesses político-partidários e valem-se de toda a metodologia torpe para obtenção e deturpação das notícias (e.g.: "News of the World"). 

O problema que se une à crise política é econômico. Desde o Plano Levy o país teve rebaixamentos nas notas de crédito de investimentos externos. O déficit público também deveria ser analisado porque há décadas praticamente 45% do orçamento federal são destinados ao pagamento de juros capitalizados da dívida - prática inconstitucional (i.é., aos credores banqueiros nacionais e estrangeiros - cerca de 15 mil, mas mantidos sob sigilo, segundo artigos especializados sobre o tema; ou seja, fração do dinheiro circulante empenhado à categoria sai literalmente do bolso do cidadão brasileiro através de qualquer imposto cotidiano pago...).

Segundo dados da CPI da Dívida Pública, os títulos do déficit público estariam prescritos quando foram renegociados no paraíso fiscal de Luxemburgo nos anos 90, através do Plano Brady para a América Latina. Com a repactuação clausulada, cumpre aos governantes, de forma cíclica, i.é, de tempos em tempos, exercitarem ajustes fiscais. 



Plano Brady: aproximadamente 45% do orçamento federal anual para pagar juros sobre juros da dívida pública (interna e externa)


O governo reluta contra o impeachment em duas frentes: 1) convocando o ex-presidente Lula para a coordenação político-econômica, já que teve experiência bem sucedida no controle inflacionário durante a sua administração, sendo quadro indispensável para solução do conflito; 2) lançando novas medidas para reativar a economia. 

O cenário é shakespeariano, revelando a luta fratricida de idéias e posicionamentos dos grupos oponentes nos quatro Poderes. 

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Século 21
Obama em Havana



Com Castro: diplomacia reatada.


Carisma popular.

Jogando dominó na tv.

Bebericando mojito, coquetel local.


Saboreando o tradicional charuto cubano.


No beisebol: a moderna política do século 21.


Viva La Habana!