segunda-feira, 13 de outubro de 2014

O inferno das drogas



Certa noite, assisti a uma reportagem televisiva sobre os drogados da Cracolândia em São Paulo. 

A prefeitura tenta contornar delicadamente o problema oferecendo hotel e pensão, assim o viciado não corre o risco de pernoitar na rua, em cabanas de papelão ou lona improvisada, sob perigo.   

Na verdade, há mini-Cracolândias na capital paulista.  

Infelizmente, pude observar o comportamento de uma pessoa viciada, e fiquei estarrecido. O que antes era corpo sadio virou esquálido. O crack faz perder os dentes. Os movimentos dos antebraços são desconexos, como os de robôs tiltados de filmes de ficção científica. A cabeça gira constantemente no eixo de 90º. A face descarna-se. Os olhos ficam estatelados, contemplando o infinito. A alienação é sintomática: parece viver numa redoma tempestuosa e caleidoscópica, perdendo noção da vida e da realidade. O toxicômano é relativamente incapaz (art. 4º, II, Código Civil). 

A política liberal de complacência para com as drogas, praticada sobretudo em Amsterdam, com a distribuição de kits para evitar a fissura e os males da abstinência, fracassou. Ao invés de diminuir, aumentou o número de viciados. 

Em caso clássico, William Burroughs, quimicamente alterado, atirou na mulher, matando-a. 




O fato é que os depoimentos dos usuários da Cracolândia chocam. São pessoas comuns impossibilitadas de saírem do inferno íntimo. De vários entrevistados, apenas uma participante da reportagem conseguiu "limpar-se", internando-se numa clínica de reabilitação provavelmente custeada pela produção. 

O governo federal precisa reforçar a política de combate às drogas, não só na luta contra o tráfico, mas também incentivando a internação hospitalar e construindo clínicas de reabilitação para os dependentes químicos. 

A lei anti-fumo deveria até proteger o cidadão ao ar livre, impedindo-se a prática fumígena nas praças e ruas (não é raro ver nas pracinhas jovens fumando maconha; provado cientificamente que o tetraidrocanabinal - THC -, princípio da cannabis, lesiona o cérebro, causando patologias).

A Prefeitura de Londres planeja banir o fumo nas praças públicas. A Organização Mundial da Saúde aprovou memorandos orientando os países a elevarem os impostos sobre o tabaco. São medidas propositivas.  

A toxicomania não é só questão social, muitas vezes oriunda de distúrbios psicológicos. É também problemática espiritual. Neste ponto, as igrejas - sobretudo evangélicas - fazem trabalho profilático e recuperacional. Entidades sociais promovem a laborterapia. Outras, musicoterapia.