quarta-feira, 22 de julho de 2015

Chance à paz



"Wisdom is better than weapons of war."
(Ecclesiastes 9:18)



O acordo nuclear ocidental com o Irã, até aqui o melhor que o P5+1 poderia oferecer à humanidade, em termos de administração da pax civilis, só teve dois opositores: o aiatolá xiita persa e o premiê israelense. Por sinal, rivais históricos, embora com "genes indistinguíveis", conforme pesquisas moleculares divulgadas pelo Prêmio Nobel James D. Watson na obra "DNA - O Segredo da Vida", pág. 274, rememorando o ancestralismo abraâmico. 

O aiatolá continua incitando a turba contra EUA/Israel, apesar de assegurado o desbloqueio econômico-petrolífero escalonado, com amplo aporte de recursos para recompor a economia do seu país. Se continuar com o discurso carbonário, à la guerra fria, certamente terá contra si a cláusula snapback do acordo. 

O premiê de Israel, por seu turno, pretende o desmantelamento nuclear bélico do oponente e inspeções a qualquer tempo - sem aviso prévio - nas usinas centrifugadoras, no que tem razão. São adendos que poderão ser incluídos pelo Capitólio na revisão final do pacto, sem contudo invalidá-lo, a título de re-ratificação.  
A questão central é que as partes envolvidas querem uma solução pacífica para um problema apocalíptico que afeta não só a região do Oriente Médio, mas todo o planeta, já que uma hecatombe nuclear ameaçaria a existência da própria espécie.    




Paralelo ao evento, a Coreia do Norte anuncia que continuará com a sua política de fabricação da bomba, vez que há exercícios marítimos militares conjuntos entre parceiros e Coreia do Sul. Infelizmente, o país comunista sofre com a fome. Politicamente, não se sustentará numa tirania e no farsesco e antiquado culto à personalidade, com presos bestializados nos gulags. Kim deveria inaugurar a abertura comercial (pão ao povo), ao invés de investir no orçamento bélico (bomba ao povo), sob pretexto de mero exercício marítimo rotineiro da pátria antagônica (onde, por sinal, noticiam-se suicídios de pobres anciães por falta de aposentadoria, o que é contraproducente em pleno capitalismo de Seul, evidenciando a sua crueldade e imperfeição). NK deveria firmar parcerias comerciais, à moda de Singapura, mesmo afastando a pauta da reunificação capitalista. É preferível a détente ao acirramento do conflito na Ásia. Neste ponto, o Japão pulverizaria NK se houvesse encrenca na península. Contudo, aberta gradualmente a economia, nos princípios do bem comum, ao invés de hiroshimas-pyongyangs, viriam os ienes e joint-ventures, via Brics ou Asean, mesmo sob o controle regulamentador estatal. Não se trata de capitulação ideológica, apenas adequação à realidade contemporânea e gerenciamento do mal menor.  

Para administrar a pax civilis a ONU poderia vincular (conditio sine qua non) às nações pasta ministerial específica, interligada à diplomacia. Isso porque muitos países-membros dispõem da pasta da guerra/defesa, mas não a antônima (paz). O ministério da paz de cada país-membro teria o escopo de monitorar criteriosa e eficazmente o cumprimento dos tratados pacíficos, principalmente nas regiões em conflito. Seria óbice às pretensões bélicas e chance à paz mundial - a regra, e não a exceção, do mundo evoluído.