segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Jihadismo - ato II




"Todos os nossos esforços não conseguem sequer reproduzir o ninho do menor passarinho, sua contextura, sua beleza e sua utilidade; tampouco a teia da singela aranha." 

(Montaigne, "Os Ensaios")



Os takfiris utópicos, lançando ataques cruéis a cristãos e decapitando ocidentais, pretendiam a criação de um Estado maometano obscurantista no Iraque e na Síria. O discurso ambicionava, inclusive, fincar a bandeira negra do Estado Islâmico no Vaticano. Jovens aventureiros, iludidos pela falácia revolucionária, como em jogos de videogame, e entorpecidos pelas drogas, foram recrutados pela milícia, sobretudo na Europa. 

Com a expansão dos jihadistas no Iraque e na Síria, e acossado pelos disparos provocadores dos foguetes e morteiros do Hamas, Israel lançou a Operação Margem Protetora, de 8 de julho a 26 de agosto de 2014, na Faixa de Gaza. 

Foi, na verdade, uma espécie de trailer mini-apocalíptico, com mais de 2 mil mortos (escudos humanos eram utilizados pelos palestinos no topo dos edifícios) e devastação patrimonial. O custo operacional inicial da batalha fora de US$ 2,5 bilhões. A reconstrução de Gaza custará US$ 6 bilhões, cotizada por diversos países (dados monetários da Wikipédia). 

Através desta operação militar, com ampla repercussão na mídia - principalmente pelas postagens dos vídeos nas redes sociais -, o Exército israelense desbaratou mais de 30 túneis secretos - labirintos subterrâneos - feitos pelos militantes palestinos para transporte de armamentos. 

Após a carnificina, selou-se a paz. 

Em seguida, o Estado Islâmico, que continua decapitando ocidentais inocentes, começou a ser combatido pelas forças aéreas da coalização de no mínimo 40 nações, inclusive muçulmanas. 

Com o ostracismo de Israel no cenário político, países arábicos pleitearam na ONU o reconhecimento do Estado Palestino. Houveram moções de apoio, sem efeitos vinculativos, em alguns parlamentos europeus. A França ofertou voto simbólico. 

Antes da proposta árabe na ONU, o MI5 desvendou complô jihadista para assassinar Her Majesty. 

Da Chechênia, o Emirado do Cáucaso lança intermitentes ataques suicidas contra o povo russo. 

São episódios que dão a tônica do perigo extremista, e da intensificação dos combates ao Estado Islâmico, para evitar a sua proliferação maléfica. 

Assim, na atual fase da entente, Gaza deve ser desmilitarizada, urbanizada e civilizada como pólis - por intermédio de investimentos econômicos, educacionais, sociais etc.   

O dinheiro que os países árabes ricos dão obliquamente à jihad (durante o conflito esse argumento de Israel fora repelido pelo Catar), instrumentalizada pelos pobres por revolta ideológica, poderia ser canalizado para a melhoria de vida do povo daquela localidade (Gaza). Pão, e não mais bombas.  

Antes da pretensão de fatiar a Terra Prometida, a Faixa de Gaza deveria servir de balão de ensaio da política muçulmana de paz, desmilitarização e urbanização. 


Um oásis paradisíaco, proveniente da riqueza dos emirados e califados, ao invés do portal miserável do hades cicatrizado pelas guerras fratricidas seriadas. 


À diplomacia para viabilizar os open covenants of peace, estratificando as medidas (desmilitarização, pólis e pax civilis).   

Somente após deliberar-se-ia com placidez a proposição árabe na ONU, sem o temor de decapitações de cristãos e outros crimes bárbaros da militância extremista. 


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A partir de 2015, a reconstrução de Gazadesmilitarizada, poderá ser internacionalizada - como já vem ocorrendo através de doações do ocidente, por questão humanitária. A paz civilizatória não representará a expansão do islamismo, tampouco a implantação do Estado dúplice. 


 Gaza desmilitarizada e reconstruída: esforço internacional e uma chance à paz civilizatória.