terça-feira, 2 de junho de 2009

A canção do mundo antigo e outro poema

"Possa ser que as cartas nunca bastem...
As palavras não digam a ternura
Que você e eu tanto esperamos...
Quem me dera bastasse uma só lágrima
Para denegrir a despedida de tantos anos...
O amor, será ele a vontade das flores?
A cachoeira que jamais seca?
Atavio incomum no pescoço das mulheres?
Para que um dia de reflexão...
Se é realmente nas noites que todos
Põem-se a sonhar furtivamente?
Feliz é a criança que depressa acorda
E Deus logicamente abençoa..
Feliz é a fome temporária
Que reveste o ventre de cônscia miséria...
Como eu gostaria de conhecer
Aquele passado que me pertence
Mas que o futuro insano e indomável
Pôde, misteriosamente,
Levá-lo para bem longe..
Para a canção que vem do vento...
é uma certa canção do mundo antigo..."

(Poema de Jorge Luiz de Souza Jr., poeta nascido em Vassouras-RJ (1989), dedicado a seu falecido pai).


"Levo comigo um arvoredo
Um campo, um beijo, um marco
Não acredito no mal, medo
Que torna o homem fraco

Vejo o fim do começo
E no seu meio logo me faço
Dentre os últimos, primeiro,
Dentre os primeiros, separado

E sei que o amor é o recomeço
É ele que nos desfaz a teia do medo
Que absorve paz e luz, dá vida...

É como ele que a eternidade que veio
Se faz um tempo forte, o começo
Belo que dá força e sempre frutifica."

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