K. tem ainda a marca do anel de noivado no dedo . O noivo a deixou praticamente no altar
a uma semana do casamento . Ela vai morar no Rio de Janeiro para esquecê-lo . Está em depressão profunda , e os seus olhos umedecem e avermelham olhando a paisagem . Rana , libanesa radicada no Brasil , aproxima-se para consolá-la . Tem o sotaque quase perfeito . É clara e de feições suaves . Estamos todos exercitando nos aparelhos de ginástica da praça . Eu , junto com o meu sobrinho , com quem sigo posteriormente para o treino de natação .
Penso em K. e em seu martírio sentimental . Valerá mesmo a pena sofrer por amor ?
Os anos marcam-me como sulcos nas árvores centenárias : de tanto levar pancada , aqui e ali , como um cão na chuva , nem mesmo sei se o amor de fato existe . Deve existir o afeto que se encerra em nosso peito juvenil .
O mundo hoje é tão mesquinho ! Em quê (quem) acreditar ?
Parêntese espiritual : talvez a reportagem que revi ontem à noite na tevê , intitulada Abraão , o Pai da Fé ajudou-me a persistir na caminhada . A não desanimar diante dos obstáculos da vida . Não é clichê . Mas uma coisa é certa : todos que me perseguiram foram , com o tempo , derrotados . Pela mão de Deus . Que é quem , afinal de contas , me protege . Em somente quem confio (apesar de que já há algum tempo não ouço a Palavra na igreja) .
Há algo além das estrelas ...
Serendipidade : http://www.youtube.com/watch?v=hPMhh9hfqCI .
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Gerald cru & cool
Enquanto chove , entre muffins de maçã e suco de manga , dediquei algum tempo assistindo on line as peças teatrais dodecafônicas do Gerald Thomas .
Gostei demasiado de Circo de Rins e Fígados . A genialidade do teatrólogo não é o texto , algo hermético , mas a encenação em si . Há estranha poesia épica ali . A modernidade pós-freudiana . É o grande filho do Beckett , com o qual , aliás , teve contato e se vangloria de ser o herdeiro cultural . Gerald quer cutucar as mentes e feridas nacionais . E consegue . É questionador , controverso (discordo quando ataca Susan Sontang em Kepler , the dog ; Sontang foi uma artista judia engajada , seja na literatura ou na fotografia , assim como o próprio teatrólogo é um animal político em seu tablado) - enfim , faz o grande teatro contemporâneo unindo sonoplastia , dança moderna , artes visuais e boa dose de filosofia de boteco . Tudo muito cru , mas cool .
http://tvig.ig.com.br/51009/gerald-thomas---o-cao-que-insultava-as-mulheres-kepler-the-dog-.htm .
Gostei demasiado de Circo de Rins e Fígados . A genialidade do teatrólogo não é o texto , algo hermético , mas a encenação em si . Há estranha poesia épica ali . A modernidade pós-freudiana . É o grande filho do Beckett , com o qual , aliás , teve contato e se vangloria de ser o herdeiro cultural . Gerald quer cutucar as mentes e feridas nacionais . E consegue . É questionador , controverso (discordo quando ataca Susan Sontang em Kepler , the dog ; Sontang foi uma artista judia engajada , seja na literatura ou na fotografia , assim como o próprio teatrólogo é um animal político em seu tablado) - enfim , faz o grande teatro contemporâneo unindo sonoplastia , dança moderna , artes visuais e boa dose de filosofia de boteco . Tudo muito cru , mas cool .
http://tvig.ig.com.br/51009/gerald-thomas---o-cao-que-insultava-as-mulheres-kepler-the-dog-.htm .
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Quando te vi feito diva rodeada de bichas
Te amei
O teu cabelo platinado
Do cérebro multimídia me amarrei
As belas coxas eróticas de vedete tímida
Que não beijei
De alma leve e densa em busca do destino perfeito
E abençoado
Sou apenas um ser imperfeito e odiado
(quis-me assim , do que falsamente perfeito e otário)
No embalo queria ser aceito para dar-te cada dia uma flor diferente
E soprar no teu ouvido a palavra amor como carícia que o vento faz ao mar
(ao amar)
Como os dias mudos que mudam no calendário
Sem nada alterar em nenhum momento
Somente fada ao luar em meu pensamento ridículo de poeta
Mas bem sei que tu és bela e também poeta
Da dura realidade extraía como um sonho o teu beijo
Como o pássaro beija a flor predileta em pleno ar .
Te amei
O teu cabelo platinado
Do cérebro multimídia me amarrei
As belas coxas eróticas de vedete tímida
Que não beijei
De alma leve e densa em busca do destino perfeito
E abençoado
Sou apenas um ser imperfeito e odiado
(quis-me assim , do que falsamente perfeito e otário)
No embalo queria ser aceito para dar-te cada dia uma flor diferente
E soprar no teu ouvido a palavra amor como carícia que o vento faz ao mar
(ao amar)
Como os dias mudos que mudam no calendário
Sem nada alterar em nenhum momento
Somente fada ao luar em meu pensamento ridículo de poeta
Mas bem sei que tu és bela e também poeta
Da dura realidade extraía como um sonho o teu beijo
Como o pássaro beija a flor predileta em pleno ar .
Procura-se Susan tranquilamente
Já escrevo sem o trema que será banido com essa reforma ortográfica (!) . Que horror ter que escrever à moda do ateu Saramago ... Mais antes realmente aprender francês .
Enfim , o post vem a propósito de um filme que vi na tevê . Trata-se de "Anjo de vidro" . Esquecível , mas tenro . É uma espécie de "Crash - No Limite" , com as vidas dos personagens cruzando-se em momentos decisivos e explicativos : aquele policial com ciúmes da noiva , a filha deprimida pela mãe doente que não se alimenta no hospital , o cara que quebra o braço para se tratar e tentar voltar alguns momentos felizes da infância que se foi ... No final , tudo se encaixa de forma simples e elucidativa , como o solidário espírito natalino (que não comemoro) colmatando as feridas .
Mas o que sobressai mesmo é a excelente atriz , um tanto envelhecida e perfeita como o bom vinho , Susan Sarandon . Lembro dela em "Telma & Louise" , jovem e esbelta . Ela interpreta só pelo olhar : ora de susto quando o negro paquerador a prensa na parede querendo beijá-la , de comoção ao dialogar com o moribundo quando prestes a atirar-se da ponte etc . O seu olhar capta e transborda toda a emoção da cena . Talvez seja a última grande atriz hollywoodiana neste mundo supérfluo de botox e falsos peitões .
Enfim , o post vem a propósito de um filme que vi na tevê . Trata-se de "Anjo de vidro" . Esquecível , mas tenro . É uma espécie de "Crash - No Limite" , com as vidas dos personagens cruzando-se em momentos decisivos e explicativos : aquele policial com ciúmes da noiva , a filha deprimida pela mãe doente que não se alimenta no hospital , o cara que quebra o braço para se tratar e tentar voltar alguns momentos felizes da infância que se foi ... No final , tudo se encaixa de forma simples e elucidativa , como o solidário espírito natalino (que não comemoro) colmatando as feridas .
Mas o que sobressai mesmo é a excelente atriz , um tanto envelhecida e perfeita como o bom vinho , Susan Sarandon . Lembro dela em "Telma & Louise" , jovem e esbelta . Ela interpreta só pelo olhar : ora de susto quando o negro paquerador a prensa na parede querendo beijá-la , de comoção ao dialogar com o moribundo quando prestes a atirar-se da ponte etc . O seu olhar capta e transborda toda a emoção da cena . Talvez seja a última grande atriz hollywoodiana neste mundo supérfluo de botox e falsos peitões .
Dreams from Obama
Ontem comecei a ler "Dreams from my father" , autobiografia do presidente eleito dos EUA Barack Obama , escrita quando tinha apenas 33 anos e era professor de direito constitucional e advogado de causas sociais em Chicago .
No prefácio , já senador , lembra que os republicanos ironizavam (antes do 11 de setembro) o seu nome herdado do pai muçulmano africano .
E que vivia na dicotomia de dois mundos : os dos blacks e whites , definindo-se por fim como "a mulatto" . Também sou moreno : moura de mouro , árabe ou africano , de cujo continente aliás descende a humanidade .
Essa mistura de raças e ideologias , que em Obama lhe confere a aura de um personagem globalizado vencedor (mãe havaiana cristã e branca , pai africano muçulmano , morou na Ásia etc. , tendo visão multifocal dos problemas internacionais) , estando portanto talhado para o munus público que exercerá , é o principal motivo do inferno em Darfus , região do Sudão , segundo relata Veja . É uma reportagem interessante que merece ser lida com reflexão . A certa altura , um articulista chega a duvidar da existência de Deus ante tanto sofrimento do povo sudanês confinado nos campos de refugiados das forças de paz da ONU . Seria Obama o novo Moisés (libertador do povo judeu que na verdade era árabe) ?
É interessante analisar a rápida ascensão desse homem do povo do anonimato ao ápice do maior cargo político do mundo .
Como herança , terá que consertar os escombros de um país . Ou da picaretagem financeira mundial que não se via desde o crack de 1929 . O que sairá desses ovos de serpentes quebrados ?
Mais do que sonhar com os inauditos conselhos de um pai ausente ("the past is not totally dead and buried" , observa em determinada passagem) , Obama terá que lidar com a dura realidade . Que quase sempre é pior que pesadelo (se não fosse a Palavra para mitigar tantas dores d'alma) .
No prefácio , já senador , lembra que os republicanos ironizavam (antes do 11 de setembro) o seu nome herdado do pai muçulmano africano .
E que vivia na dicotomia de dois mundos : os dos blacks e whites , definindo-se por fim como "a mulatto" . Também sou moreno : moura de mouro , árabe ou africano , de cujo continente aliás descende a humanidade .
Essa mistura de raças e ideologias , que em Obama lhe confere a aura de um personagem globalizado vencedor (mãe havaiana cristã e branca , pai africano muçulmano , morou na Ásia etc. , tendo visão multifocal dos problemas internacionais) , estando portanto talhado para o munus público que exercerá , é o principal motivo do inferno em Darfus , região do Sudão , segundo relata Veja . É uma reportagem interessante que merece ser lida com reflexão . A certa altura , um articulista chega a duvidar da existência de Deus ante tanto sofrimento do povo sudanês confinado nos campos de refugiados das forças de paz da ONU . Seria Obama o novo Moisés (libertador do povo judeu que na verdade era árabe) ?
É interessante analisar a rápida ascensão desse homem do povo do anonimato ao ápice do maior cargo político do mundo .
Como herança , terá que consertar os escombros de um país . Ou da picaretagem financeira mundial que não se via desde o crack de 1929 . O que sairá desses ovos de serpentes quebrados ?
Mais do que sonhar com os inauditos conselhos de um pai ausente ("the past is not totally dead and buried" , observa em determinada passagem) , Obama terá que lidar com a dura realidade . Que quase sempre é pior que pesadelo (se não fosse a Palavra para mitigar tantas dores d'alma) .
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Pataleo natalino do Boni
Extraído site do Boni : http://bloglog.globo.com/boni :
"Na Espanha, de onde veio minha família a palavra "pataleo" tem muitos significados. Ao pé da letra é bater o pé. Mas pode ser:espernear, chutar a canela do outro, sapatear em cima de alguma coisa, dar um chute no ar, significa também protesto ou ainda confusão. Em um longínquo mês de Dezembro, a família se reuniu na casa de uma tia para fazer os planos de Natal. Naquele momento éramos todos remediados, com grana curta e contada. Essa minha tia oferecia a casa dela, um humilde sobradinho em Pinheiros, para que realizássemos a festa de Natal, com a condição que cada um levasse alguma coisa, um peru, um leitão, alguma "cava"- que é a champagne da espanha - ou um vinho tinto bebível. Todos topamos. Uma das tias mais abastadas, espontaneamente, assumiu a responsabilidade do peru e do leitão. O resto ficaria por conta dos outros. Fizemos uma lista de quem traria o que, tomamos um cafezinho e fomos todos felizes para casa ansiosos pela noite de Natal, quando a família em peso se reuniria. Houve, porém, um detalhe que foi esquecido. Um dos filhos da tia que oferecia a casa estava noivo e teria, obrigatoriamente, que trazer a noiva e a família da noiva. Uma semana depois da reunião fomos comunicados desse fato novo. A tia mais abastada e que traria a maior contribuição chiou: - Eu não vou levar peru e nem leitão prá gente que eu não conheço. E não vão me fazer de idiota transformando a festa de Natal em festa de Noivado. Eu estou fora, foooooora, avisou a tia rica prá todo mundo. Um problemão. Meu primo não tinha como cancelar o convite a família da noiva e nem como pedir a eles contribuição para a festa. E pior, nós só tínhamos as bebidas e umas rabanadas. Nova reunião. A solução foi fazer uma vaquinha para comprar o peru e o leitão, naturalmente com uma participação mais generosa da dona da casa que tinha o filho noivando. Tudo bem. Faríamos a festa sem a tia Ruth. Ruth era o nome da minha tia mais bonita e em melhor situação financeira. Uma pena, mas tia Ruth não viria, inconformada com a adição de convivas desconhecidos. Mas , deixando isso de lado, todas as providencias foram tomadas e a festa seria de paz se um incidente não tivesse ocorrido. O padeiro que servia a casa da tia remediada, em Pinheiros, tinha uma esposa cujo nome, por fatal coincidência, era Ruth. Igualzinho ao da tia Ruth. Pois bem. Na tarde de Natal o padeiro deixou na porta uma pequena rosca natalina, com um cartão assinado só pela mulher dele, que dizia apenas: Feliz Natal. Ruth. Meu tio quando viu aquilo pensou que era sacanagem da tia Ruth. Jogou a rosca no chão, chamou a família e todos sapatearam em cima da rosca, num completo "pataleo' . E meu tio blasfemava:- Por Dios, que la mato. A noite de Natal, seguiu com meu tio reclamando- Tá bem que a Ruth não venha, que retire o peru e o leitão, mas "coños" que queira nos humilhar é demais. Acalmamos o tio e partimos para a "cava" , preparando-nos para abrir os presentes. Nesse ínterim a Ruth verdadeira, a minha tia, arrependeu-se do boicote a festa e olhando para o peru e para o leitão, ambos solitários, resolveu mudar de atitude e vir reunir-se com a família. Ela chegaria de surpresa, com seu carro - ela era única que tinha um- trazendo nas bandejas as iguarias de Natal, enfeitadas com fios de ovos. E assim o fez. Chegou no portão da casa onde estávamos e tocou a campainha. Ao ver a cena, meu tio, enraivecido e ainda pensando que a Ruth da rosca e a minha tia eram a mesma pessoa, correu pelas escadas do sobrado e, no quarto, muniu-se de uma velha espingarda de caça. Abriu a janela e anunciou : - Vá humilhar a puta madre. E minha tia exibindo as bandejas: - Feliz Natal! Feliz Natal! E meu tio disparando a espingarda para o alto: - Feliz Natal é a que te pariu. Minha tia, assustada, volta para o carro e grita:- Louco! Louco! O carro arranca. Novos tiros se misturam com os sinos da meia noite da Matriz de Pinheiros. É o “pataleo” de Natal. No dia seguinte, a ressaca veio forte para o meu tio, quando ele, com dor de cabeça, atendeu o telefone e ouviu incrédulo:- Aqui é a Ruth, a mulher do padeiro. Como foram de Natal? Gostaram da rosca que eu mandei?"
"Na Espanha, de onde veio minha família a palavra "pataleo" tem muitos significados. Ao pé da letra é bater o pé. Mas pode ser:espernear, chutar a canela do outro, sapatear em cima de alguma coisa, dar um chute no ar, significa também protesto ou ainda confusão. Em um longínquo mês de Dezembro, a família se reuniu na casa de uma tia para fazer os planos de Natal. Naquele momento éramos todos remediados, com grana curta e contada. Essa minha tia oferecia a casa dela, um humilde sobradinho em Pinheiros, para que realizássemos a festa de Natal, com a condição que cada um levasse alguma coisa, um peru, um leitão, alguma "cava"- que é a champagne da espanha - ou um vinho tinto bebível. Todos topamos. Uma das tias mais abastadas, espontaneamente, assumiu a responsabilidade do peru e do leitão. O resto ficaria por conta dos outros. Fizemos uma lista de quem traria o que, tomamos um cafezinho e fomos todos felizes para casa ansiosos pela noite de Natal, quando a família em peso se reuniria. Houve, porém, um detalhe que foi esquecido. Um dos filhos da tia que oferecia a casa estava noivo e teria, obrigatoriamente, que trazer a noiva e a família da noiva. Uma semana depois da reunião fomos comunicados desse fato novo. A tia mais abastada e que traria a maior contribuição chiou: - Eu não vou levar peru e nem leitão prá gente que eu não conheço. E não vão me fazer de idiota transformando a festa de Natal em festa de Noivado. Eu estou fora, foooooora, avisou a tia rica prá todo mundo. Um problemão. Meu primo não tinha como cancelar o convite a família da noiva e nem como pedir a eles contribuição para a festa. E pior, nós só tínhamos as bebidas e umas rabanadas. Nova reunião. A solução foi fazer uma vaquinha para comprar o peru e o leitão, naturalmente com uma participação mais generosa da dona da casa que tinha o filho noivando. Tudo bem. Faríamos a festa sem a tia Ruth. Ruth era o nome da minha tia mais bonita e em melhor situação financeira. Uma pena, mas tia Ruth não viria, inconformada com a adição de convivas desconhecidos. Mas , deixando isso de lado, todas as providencias foram tomadas e a festa seria de paz se um incidente não tivesse ocorrido. O padeiro que servia a casa da tia remediada, em Pinheiros, tinha uma esposa cujo nome, por fatal coincidência, era Ruth. Igualzinho ao da tia Ruth. Pois bem. Na tarde de Natal o padeiro deixou na porta uma pequena rosca natalina, com um cartão assinado só pela mulher dele, que dizia apenas: Feliz Natal. Ruth. Meu tio quando viu aquilo pensou que era sacanagem da tia Ruth. Jogou a rosca no chão, chamou a família e todos sapatearam em cima da rosca, num completo "pataleo' . E meu tio blasfemava:- Por Dios, que la mato. A noite de Natal, seguiu com meu tio reclamando- Tá bem que a Ruth não venha, que retire o peru e o leitão, mas "coños" que queira nos humilhar é demais. Acalmamos o tio e partimos para a "cava" , preparando-nos para abrir os presentes. Nesse ínterim a Ruth verdadeira, a minha tia, arrependeu-se do boicote a festa e olhando para o peru e para o leitão, ambos solitários, resolveu mudar de atitude e vir reunir-se com a família. Ela chegaria de surpresa, com seu carro - ela era única que tinha um- trazendo nas bandejas as iguarias de Natal, enfeitadas com fios de ovos. E assim o fez. Chegou no portão da casa onde estávamos e tocou a campainha. Ao ver a cena, meu tio, enraivecido e ainda pensando que a Ruth da rosca e a minha tia eram a mesma pessoa, correu pelas escadas do sobrado e, no quarto, muniu-se de uma velha espingarda de caça. Abriu a janela e anunciou : - Vá humilhar a puta madre. E minha tia exibindo as bandejas: - Feliz Natal! Feliz Natal! E meu tio disparando a espingarda para o alto: - Feliz Natal é a que te pariu. Minha tia, assustada, volta para o carro e grita:- Louco! Louco! O carro arranca. Novos tiros se misturam com os sinos da meia noite da Matriz de Pinheiros. É o “pataleo” de Natal. No dia seguinte, a ressaca veio forte para o meu tio, quando ele, com dor de cabeça, atendeu o telefone e ouviu incrédulo:- Aqui é a Ruth, a mulher do padeiro. Como foram de Natal? Gostaram da rosca que eu mandei?"
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Sapatada iraquiana
Madonna já jogou uma granada (no clipe American Life v. 1) . E um jornalista iraquiano agora atirou os sapatos :
1) sapatões do iraquiano : http://br.youtube.com/watch?v=vCszKtCs9zc ;
2) granada madônnica : http://br.youtube.com/watch?v=r4Mw156D1CY ;
3) Melô do 42 : http://br.youtube.com/watch?v=FTgDYrcAg60 .
1) sapatões do iraquiano : http://br.youtube.com/watch?v=vCszKtCs9zc ;
2) granada madônnica : http://br.youtube.com/watch?v=r4Mw156D1CY ;
3) Melô do 42 : http://br.youtube.com/watch?v=FTgDYrcAg60 .
domingo, 14 de dezembro de 2008
Natação
Enquanto teclo , vejo reportagens televisivas sobre natação : do Leme ao Pontal , um nadador carioca atravessou coast-to-coast 35 kms em 8 horas , enfrentando o mar aberto de madrugada . Foi queimado no braço por uma água-viva . Atletas em competição internacional na piscina em Fortaleza , cabeça a cabeça .
http://br.youtube.com/watch?v=TBuw4_2cQuc .
http://br.youtube.com/watch?v=TBuw4_2cQuc .
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
O livro do Júlio
Será lançado no próximo dia 19.dezembro o livro premiado do repórter Júlio Cesar Garcia :
http://mail.mailig.ig.com.br/mail/?ui=2&ik=5a1d125930&view=att&th=11e273a10988f580&attid=0.2&disp=inline&zw
http://mail.mailig.ig.com.br/mail/?ui=2&ik=5a1d125930&view=att&th=11e273a10988f580&attid=0.2&disp=inline&zw
Manezão
Ao buscar o meu piquenique de urubu no restaurante , após o treino da natação , encontrei o seo Manezão tomando cerveja , olhos vítreos , glorificando o passado , desdenhando o futuro .
Falou que era coronel (em que época ? Do Lampião ? , gracejei) , acendeu um cigarro e começou a cantarolar "Fica comigo esta noite" , do Nelson Gonçalves , ao lado do seu companheiro de mesa , que zombava dos seus gestos espartanos . Quem mais se lembraria desse cantor ? Pois seo Manezão era saudosista , e os versos iniciais da canção enchiam o casario , onde trabalhadores jantavam afoitamente .
De repente , um vento forte anunciando temporal , a luz apagou-se e a voz opaca do ancião oscilava com uma ordem a alguém : - traga o lampião !
Quando a energia foi restabelecida , observei um anel de ouro preso a uma corrente pendurada no pescoço do Manezão . Perquiri , e ele , melancólico , explicou :- é da minha finada esposa . Sou viúvo . Ela estava ao volante com o nosso netinho . Bateu defrente a outro carro . Os dois morreram .
Manezão beijou a aliança , fitou o teto como se procurasse o céu e os seus anjos invisíveis , soltou uma densa baforada e o seu olhar embaçado parecia perdido no espaço . Talvez em homenagem a sua amada imortal estava cantando aquela velha canção , também perdida no tempo da memória .
Falou que era coronel (em que época ? Do Lampião ? , gracejei) , acendeu um cigarro e começou a cantarolar "Fica comigo esta noite" , do Nelson Gonçalves , ao lado do seu companheiro de mesa , que zombava dos seus gestos espartanos . Quem mais se lembraria desse cantor ? Pois seo Manezão era saudosista , e os versos iniciais da canção enchiam o casario , onde trabalhadores jantavam afoitamente .
De repente , um vento forte anunciando temporal , a luz apagou-se e a voz opaca do ancião oscilava com uma ordem a alguém : - traga o lampião !
Quando a energia foi restabelecida , observei um anel de ouro preso a uma corrente pendurada no pescoço do Manezão . Perquiri , e ele , melancólico , explicou :- é da minha finada esposa . Sou viúvo . Ela estava ao volante com o nosso netinho . Bateu defrente a outro carro . Os dois morreram .
Manezão beijou a aliança , fitou o teto como se procurasse o céu e os seus anjos invisíveis , soltou uma densa baforada e o seu olhar embaçado parecia perdido no espaço . Talvez em homenagem a sua amada imortal estava cantando aquela velha canção , também perdida no tempo da memória .
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Panis et circus
Acompanhei o meu sobrinho de dez anos ao circo ontem à noite . Faz tempo que não ia . É um circo simples , próximo ao Plazza Shopping .
Anões parlapatões , malabaristas , trapezista fantasiado de homem-aranha , garota contorcionista que pega a rosa com os dentes curvando-se como se fosse elástico , a dupla de palhaços Lingüiça e Lingüincinha (pai e filho) que põem digníssimas senhoras da platéia num carro velho caindo aos pedaços que se parte ao meio (antes , porém , são "carimbadas" com uma leve paulada no traseiro e se enfiam no bólido sob a gargalhada geral da platéia) .
O atirador de facas suspende o fôlego do público ao atirar , de olhos vendados , as adagas na partner de braços abertos no biombo .
No grand finale , o globo da morte , onde cinco motoqueiros circulam espantosamente com suas motos velozes dentro de uma pequena bola de ferro , ao som de We Will Rock You (Robbin Williams) , e sob efeitos de iluminação .
Essa simplicidade de artistas mambembes é encantadora porque estão dando tudo de si , o seu sangue , para criar um espetáculo que entretém do começo ao fim . Com pipoca e muito riso !
Anões parlapatões , malabaristas , trapezista fantasiado de homem-aranha , garota contorcionista que pega a rosa com os dentes curvando-se como se fosse elástico , a dupla de palhaços Lingüiça e Lingüincinha (pai e filho) que põem digníssimas senhoras da platéia num carro velho caindo aos pedaços que se parte ao meio (antes , porém , são "carimbadas" com uma leve paulada no traseiro e se enfiam no bólido sob a gargalhada geral da platéia) .
O atirador de facas suspende o fôlego do público ao atirar , de olhos vendados , as adagas na partner de braços abertos no biombo .
No grand finale , o globo da morte , onde cinco motoqueiros circulam espantosamente com suas motos velozes dentro de uma pequena bola de ferro , ao som de We Will Rock You (Robbin Williams) , e sob efeitos de iluminação .
Essa simplicidade de artistas mambembes é encantadora porque estão dando tudo de si , o seu sangue , para criar um espetáculo que entretém do começo ao fim . Com pipoca e muito riso !
domingo, 7 de dezembro de 2008
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
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